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quarta-feira, 1 de novembro de 2017

No dia do parto, a mãe não estava lá.

Nunca quis ser mãe. Foi algo que sempre disse a mim mesma para não ter que lidar mais com o assunto nem com os constrangimentos de talvez não me sentir apta o suficiente para ter alguém  a crescer dentro de mim e a ser cuidado por mim. Não sabia cuidar, tinha medo de não saber amar. Não estava assim tão longe da realidade.

Mais tarde, tudo me pareceu satisfatório nesse sentido. Na vida nada me estava a saber como deve ser. Parecia tudo cinzento e sempre de noite num armazém vazio repleto de pequenas caixas do meu eu antigo. Estava casada e pareceu-me o próximo passo. Pensei que “a ser mãe, tavez seja agora” que nada me sabe a nada e nada me parece estar a atrapalhar.

Engravidámos. E não houve um único dia dos 9 meses que não tivesse representado uma oportunidade para me afeiçoar à ideia de vir a ser mãe e de ser já uma mulher. Pareceu-me muito tempo, mas talvez tenha sido o suficiente. São 9 meses em que se gera uma criança, mas em que se começa a gerar uma mãe. Que mãe?

No dia do parto, a mãe não estava lá. A mãe estava algures antes de terem começado as contracções e de se ter apercebido que tudo isto era a sério. Apesar das noites sem dormir, das dores enormes de barriga, das dores de costas que não a deixavam respirar e rir a determinada altura, a mãe saiu.

Quando a filha nasceu, estava lá o pai. A mãe não sentiu nada. A mãe tinha saído. O corpo sentiu a perda de algo, mas o coração não ganhou nada. A cabeça perdeu-se em ansiedade e medo e decidiu desligar. Senti nada.

Senti um pouco quando o Frederico a pegou ao colo. Senti como se o meu pai me tivesse abraçado. A menina ao colo do pai, mas não era necessariamente a minha filha.

Dois dias e duas noites de recuperação de filme de terror de algo que tem tudo para correr naturalmente. No meio de angústia e de confusão, os sentimentos eram nenhuns. O teatro apresentava-se como necessário, não fosse “o que é que os outros vão pensar” algo sempre demasiado presente.

Quis ir para casa. Não queria mais hospital, queria começar a vida, mas senti-me analfabeta. Tinha à minha frente aquele que sempre me disseram que iria ser o melhor livro do mundo, mas não sabia lê-lo. Não sabia sequer manuseá-lo. E pior, ele chorava e precisava de mim.

Roboticamente fui imitando o que se vê aqui e ali. O que terei gravado em mim algures de ter visto algo com o meu irmão Pedro, mas nem uma fralda me achei capaz de trocar no hospital. Tive de chamar o enfermeiro.

Comecei abaixo de 0. Comecei sem sentir aquele amor de que todas as mães falam. Ou quase todas. A minha falou do parto ter sido de ventosa. Como o da minha filha.

Aos poucos fui-me permitindo “ser ridícula”. Comecei a falar com aquele pedaço de carne que respirava. Comecei a cantar para me acalmar, na esperança de o acalmar também e, devagarinho, por entre muitas lágrimas de dor enquanto amamentava, fui sentido que estava certo. Que o meu corpo também dava leite e que estava preparado para ser mãe. Não só mulher que gera vida, mas mãe também.

Ver a minha filha a crescer alimentada por mim e por mim (as duas “eu”: cabeça e corpo) foi-me dando força para acreditar no meio das milhares de batalhas que ia travando na minha cabeça entre ser capaz ou de não ser capaz e qual é a voz do instinto maternal? Porque é que erro tanto? Porque é que é tudo tão difícil sempre para mim? Merecia eu ser mãe?

Adormecer para as sestas era um terror. Dar a comida. Manter-me acordada. Amamentar de noite. Adormecê-la de noite. Não me poder afastar dela. Vivi os primeiros meses sobrevivendo e sem saber dançar, sem conseguir ouvir. Algo me impedia de chegar a mim e, por isso, de ver a minha filha.

Seis meses depois voltei a trabalhar, mas não tinham o meu regresso preparado. Não tinham pensado se voltava a antena ou não e, tendo saído de um programa das manhãs, percebi que já não importava como equipa de palco, mas talvez tivesse de me contentar com os bastidores. “Eu adapto-me a tudo.”.

Não me adaptei. Fiquei zangada por não se terem lembrado de mim, não terem pensado em mim, por parecer que tinham seguido sem mim e pensei que aquele tempo ali não interessava e ainda menos estando a minha filha sem mim. Propus um ano sem vencimento e foi-me dado.

Um ano e seis meses em casa com a minha filha (e marido). Uma dádiva, um privilégio, mas aterrrorizante. Secretamente desejava que o pedido da licença sem vencimento não fosse aprovado. Como se a minha “culpa” de não estar com a minha filha fosse atenuada com um “tem que ser”, mas não.

Agora tinha um ano para me dedicar em exclusivo a isto de ser mãe do qual não sei nada. Um ano.

Percebi os truques: passear, muito. Ficar em casa dá lugar a um cansaço mental ao qual não tenho resistência e expunha a minha filha à minha falta de sanidade. Ver pássaros, ouvir as árvores, pô-la a brincar com pedrinhas. Estava a protegê-la de mim, do ambiente morto lá de casa e a pedir por tudo que o tempo passasse rápido.

O normal de estar em casa instalou-se. Tudo era muito, mas mais 10 kilos de bolachas em cima, de muitas sestas e de não ser eu mais do que um cadaver que cuida com amor da minha filha.

O amor surgiu. Surgiu pelo meio das muitas músicas que lhe cantei, mas surgiu à séria, quando comunicamos inequivocamente para mim: ela mamava, pisquei duas vezes os olhos para brincar com ela e ela piscou de volta. Tinha ali a minha filha, a minha pessoa.

Agora é a sério. Tenho que a mostrar diariamente o quanto a amo. Não vou descansar até ela saber. O meu maior tendão de Aquiles é não saber reconhecer o que é amor. Amor por mim. Vou amá-la tanto que isso vai definir-lhe o que é amor. Vou amá-la de maneira a que ela floresça.

E tenho amado com o meu corpo todo, com a minha cabeça, lábios, mãos, ouvidos, nariz, tudo. Em todos os pormenores há amor de mim para ela.

Depois desse encontro, voltei a trabalhar. Não havia tanto tempo para amar tanto, mas a minha cabeça arejou. O amor respirado é um amor que me parece mais saudável. Com idas ao parque, mas já não como sobrevivência. Sim como escolha. Só por ela. A Irene só foi para a escolar aos dois anos e meio.

No trabalho, tudo igual. Nenhum projecto em especial para mim que, quando saí do ar, o programa que fazia era o meu nome. Já sabia quando engravidei que ia perder o meu tempo. Convenci-me que tinha morrido para a radio e também para a televisão. Talvez tenha morrido no formato anterior porque essa Joana também desapareceu. Ou melhor: sofreu um upgrade.

Esta nova Joana que procura diariamente maneiras de mostrar à filha o que é o amor também procura diariamente o que é ser. Quem é a Joana agora que não é o centro das atenções? Agora que tem alguém que é tão importante na vida dela e para sempre?

A Joana que é mãe (e que ser mãe significa ser mulher, nunca entendi bem a separação) separou-se do pai da filha. Sentiu que para amar mais e melhor que precisava de iluminar a casa, deixar entrar ar, libertar de coisas que a prendessem a uma determinada imagem que já não tinha de si própria. Afinal de contas, tudo flui nela. 

A Joana merece o mundo.

A mãe da Irene não estava quando ela nasceu.


Existe mais por ter descoberto o que é o amor.






Fotografia - Joana Hall


a Mãe é que sabe Instagram

quarta-feira, 6 de setembro de 2017

Fiquei com vontade de ter um parto na água

Já há muito tempo que não se fala de partos por aqui. Ontem vi um vídeo maravilhoso de um parto na água. E fiquei com vontade de ter um filho assim. Sim, muito provavelmente não bato bem. Já vos disse que muito provavelmente não terei mais (neste momento não quero mais!). Vou reformular: fiquei com um bocadinho de pena de não ter tido uma filha assim.

Quando fiquei grávida da Isabel, comecei a ver partos no Youtube e no Facebook. Acalmava-me. Despertava em mim coisas boas. E a verdade é que adorei o meu parto (ambos, aliás). Foram - um no privado e o segundo no público - bastante harmoniosos, respeitadores, dentro daquilo que eu na altura esperava, e com muito boas energias e bons profissionais. E com o David ali ao meu lado. Mas... gostava (acho que gostava) de ter experimentado o que é um parto completamente natural. Em ambas as vezes deram-me cenas a meio para induzir e acelerar, o que, dizem, aumenta as dores das contracções, e nunca consegui não pedir epidural. Será que sem isso, as dores teriam sido suportáveis? Possivelmente sim, quem sabe? 
Claro que tenho memórias fantásticas e isso é impagável. No segundo, apesar das complicações no recobro (essa considero a fase 2 do parto, a primeira foi óptima), pedi para ser eu a puxar a minha filha para cima de mim e isso aconteceu e foi maravilhoso. E não me fizeram episiotomia e esteve bastante perto da perfeição - tive pena que tivessem cortado apressadamente o cordão umbilical ou que a tivessem esfregado para tirar o vernix logo, por exemplo. Coisas que, se fosse agora, teria pedido ou reforçado antes. Acho que ainda há muitas coisinhas a mudar nos partos que se fazem hoje em dia nos nossos hospitais, para os tornar o mais humanizados possível.

Acho importante que se fale de partos. Todas as histórias contam. Quando estamos grávidas, se calhar dispensamos bem histórias dolorosas de 89 horas de parto ou de bebés que foram empurrados novamente para dentro, para não ficarmos alarmadas (há sempre alguém que se esquece que estamos num período mais delicado e pumbas!), mas tirando isso, acho um tema absolutamente interessante e importante.


Já tivemos aqui alguns relatos de partos. Vamos a isso?

 O meu partão - Joana Gama

O parto da Luísa 

E este incrível:

Isabel 16/03/2014

Luísa 31/05/2016

domingo, 2 de abril de 2017

Coisas imprescindíveis para o bebé (e para nós)

Já fizemos aqui algumas listas de maternidade, mas resolvi compilar as várias e - agora que já passei pela experiência de parto no público - fazer uma a conjugar tudo: coisas para a maternidade e coisas para a casa, para os primeiros tempos. É sempre útil.

MALA DE MATERNIDADE DO(A) FILHO(A)
- Três babygrows fáceis de vestir (nada destes para os quais a Joana Gama chamou a atenção aqui que, por sinal, eram do género do primeiro que a Isabel vestiu e tive as enfermeiras em stress a tentarem vestir-lhe aquilo). Acho que, no verão, de algodão serão suficientes.
A primeira roupa da Isabel e da Luísa <3
- Três bodies de manga comprida, de algodão (compro os interiores e os pijamas quase todos na Primark)
- Três calças interiores (Zippy) ou collants (Calzedonia, Zippy, Condor - estas com números pequenos)
- Um casaquinho de malha
- Um gorro (perdem muito calor pela cabeça), mas depende muito do calor do hospital
- Quatro pares de meias
- Fraldas q.b. (alguns hospitais dão as fraldas, mas não custa levar umas quantas e se for preciso alguém traz mais). Eu comprei Dodot para a Isabel e para a Luísa experimentei estas ecológicas da Bambu, à venda por exemplo na Origami Kids [Dizem que as Libero para recém-nascido também são muito boas]. Depois de recém-nascido, uso Dodot ou Pingo Doce.
- Compressas (não usei toalhitas nos primeiros meses), limpava apenas com compressas com água quente - é melhor para eles.
- Fraldas de pano (uma ou duas) ou sacos: no meu caso, fiz uns envelopes com as fraldas de pano para cada uma das mudas de roupa, selados com alfinetes de ama, mas também têm estes saquinhos giros e baratos que descobri esta semana na Dois + Dois = Quatro, que dão para usar também para organizar as malas de viagem

- Toalha para o banho
- Produtos de higiene para o bebé e creme muda-fralda
- Tesourinha ou lima (gostei mais de tesoura) e soro fisiológico



Não acho necessário:
- Chucha (para não atrapalhar a amamentação) nem biberon
- Sapatos nem gangas ou coisas desconfortáveis


MALA DE MATERNIDADE DA MÃE
- Três camisas de dormir (ou aquilo que for mais confortável para vocês, equacionando que têm de  despir para dar mama) - usei umas da Primark e outras da Woman Secret


- Chinelos (de banho e de quarto, ou só de banho)
- Kit higiene + cremes (levo maquilhagem básica porque sou vaidosona no dia de vir para casa)
- Soutiens de amamentação (dois ou três): adoro estes sem costuras das H&M (ainda os uso).
- Discos absorventes para pôr no soutien (caso tenham a subida do leite logo lá)
- Purelan, da Medela - pomada para os mamilos - ou dois cremes que encontrei na Origami Kids - este bálsamo para mamilos e este, um pouco mais espesso, de que gostei muito!


EXTRAS QUE ME SALVARAM A VIDA:
- Elástico para o cabelo (parece ridículo, mas depois esquecem-se e dá tanto jeito!)
- Spray de água termal da Vichy - cara e lábios sempre hidratados. Levei para as duas e sempre adorei a sensação.
- Tena Pants - Ah, pois é, minhas amigas, também eu pensava que me ia guardar lá para os 70 anos, mas segui o conselho não sei de quem, experimentei e não quis outra coisa (quer dizer, quis, quis outra coisa, mas enfim, teve de ser). Ainda experimentei uma vez um penso numa daquelas cuecas de rede que nos dão no hospital e não tem nada a ver, deslocam-se, saem de sítio e é desconfortável. Com estas cuecas-penso (há também de outras marcas em qualquer farmácia ou hipermercado) não há risco de nada sair de sítio, ajustam-se bem e estamos sempre confortáveis. Além de que se rasgam para despir, não tendo de fazer grande esforço para nos baixarmos. Recomendo, sem dúvida! 
- Carregador telemóvel + máquina fotográfica (com cartão e bateria carregada)

COISAS QUE ME SALVARAM AS MAMAS EM CASA:
ler este post - Como sobrevivi ao primeiro mês de amamentação

EM CASA:
- Berço para estar coladinho à nossa cama: nos primeiros meses, pelo menos, o lugar do bebé é bem pertinho de nós. Se quiserem poupar uns trocos, ou não puderem meter-se em mais despesas, a cama de grades colada à nossa também funciona, claro.
- Cama de grades: comprei a cama no IKEA para a Isabel e é a que uso ainda com a Luísa. Adoro. Barata e bonita. O colchão também é do IKEA, mas investi no melhorzinho que lá havia. Vão precisar também de resgardo para a cama, lençóis e uma manta. Ou um saco-cama, como preferirem.

Quarto da Isabel em Lisboa (agora bateram umas saudades... eheh)
- Trocador: é dispensável, se tiverem um armário de gavetas com uma largura considerável, onde possam pôr um muda-fraldas. Eu comprei o trocador no IKEA (Gulliver), com 3 prateleiras, que além do apoio à higiene (com fraldas e produtos dentro de cestas de vime da Zara Home), usei também como biblioteca da Isabel, por estar à altura dela.
- Almofada de amamentação: deu-me um jeitaço nos primeiros meses para a amamentar na minha cama e no sofá da sala - temos esta da Mada in Lisbon.
- Banheira 

CASA/RUA:
- Ovo para o automóvel: temos e o Pebble da Bebéconfort e é excelente
- Carrinho
- Espreguiçadeira (para quando precisamos de ir fazer um xixi, comer ou tomar banho e tê-los sempre debaixo de olho). Temos esta.
- Sling/pano/marsúpio ergonómico: acho meeeeeesmo essencial para eles e para nós. Usei primeiro um pano da Vivi&Me e depois usei e uso - muito - estas mochilas.

ROUPAS:
- 10 babygrows, 3 calças interiores de algodão e 10 bodies 1-3 serão suficientes para começar.
Ter três ou quatro bodies 0-1 mês se o bebé nascer mais pequenito (aqui usaram-se muito pouco tempo).
- 3 casaquinhos de malha e 3 casaquinhos mais quentes
- 4 pares de collants

Não acho necessário: esterilizador, biberons, leite adaptado (só caso não queiram amamentar, claro), brinquedos (no primeiro mês não ligam e vão oferecer-vos também).

Mais coisinhas a acrescentar ou que substituiriam?

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segunda-feira, 19 de dezembro de 2016

10 coisas para dizer à mãe de um recém nascido.

Se calhar somos más. Se calhar, quando ficamos enervadas com os primeiros comentários estamos só a não conseguir gerir bem o facto de termos passado pela experiência física mais desgastante de sempre da vida de uma mulher a não ser aulas de Bum Bum Brasil (ou 3B se formos finas). Se calhar, as pessoas estão desconfortáveis por estarem a assistir a um pequeno ser vivo que acabou de sair do nosso pipi, o sítio onde aproximadamente 9 meses antes entrou um pedaço do genital do nosso companheiro. Assim dito parece nojentinho, não é? Pois, se calhar as pessoas entram em piloto automático e só dizem mecónio porque não lhes sai nada melhor. 


 
Talvez precisem de ajuda para uns comentários mais criativos. Aqui vai: 


10 - Uau! Para quem acabou de ser esventrada, eu ia lá! Estás com óptimo aspecto!

Por muito que pareça altamente inusitado, no fundo, no fundo, gostamos de sentir que as pessoas até nos considerariam num "acto de loucura". A não ser que sejam familiares (o que é provável dada a visita ser no hospital) ou, então, profissionais do próprio hospital (também seria esquisito, a não ser que aparecesse um Karev, um Jackson ou um Derek - que Deus o tenha). 

9 - Quem me dera ter umas tetinhas assim!

Há coisas boas nisto dos primeiros meses e uma delas é ter umas mamas de pornstar. Um bocadinho vascularizadas demais? Ao ponto de parecer que tomamos suplementos e que foram só para as mamas? Talvez. Porém, são umas belas tetinhas e há que aproveitar. 

8 - Trouxe-te um Kinder Surpresa!

Epá, nós sabemos bem quais são os verdadeiros prazeres da vida. Não é ser mãe e plantar um livro ou escrever uma árvore (eu reparei no que escrevi). É mesmo mamar umas barrinhas de Kinder a ou mesmo uns 4 ou 5 ovos daqueles e pensar "há coisas mais importantes na vida que isto" e não haver culpa NENHUMA porque temos ali um ser que só sobrevive graças a nós.

7 - Olha, não sabia o que trazer, então trouxe-te 300 euros num cheque-prenda da Zara.

Como assim não se sabe o que é que se há de dar a uma mulher? Zara! Zara! Zara! Seja qual for o momento da nossa vida, queremos comprar "uma coisinha". E a Zara tem loja online, por isso mesmo que o nosso pipi ou a nossa cesariana nos impeça de andar como gente grande e nos faça andar tipo caracol (sendo o rasto, tudo aquilo que expelimos no mês seguinte pela vagina e que é nojento) dá para fazermos compras e para elas virem cá ter a casa. 

6 - O teu homem deu em louco e contratou uma empresa de limpeza para os próximos 20 anos. 

E são duas mulheres razoavelmente feias (vá, só para não ter que pensar no assunto) e altamente eficientes. Têm um gosto particular por ordenarem a roupa por cores e por estações e por tomarem conta de recém-nascidos. 

5 - Mulher!!! Não sei o que terá acontecido, mas ligaram-me da CGD a dizer que tinhas demasiado dinheiro na conta e que não têm mais espaço para guardar o teu dinheiro!

Ter dinheiro "fictício" ao ponto de não ter sido para o guardar parece-me fabuloso. Sendo que, depois de um parto, sabemos bem onde temos mais uns m2 onde podemos guardar coisas. Podem ficar algo sujas, mas nada que depois um Dettol não resolva.

 
4 - O miúdo é igual a ti, que sorte a dele!

Por muito que tenhamos escolhido o pai (às vezes acontece não termos escolhido, mas "compensa", vá), ficamos mais descansadas se forem parecidos connosco. Não, nós amamo-vos a sério que sim, mas... achamos sempre que somos mais perfeitinhas, até de cabeça (o único homem que esteja a ler isto que pare de se rir, sff). 

3 - Não vou pegá-lo ao colo só porque tenho saudades de bebés. 

Há muitas mães que não se importam e que adoram que os bebés sejam a batata quente daquele jogo quando éramos mais novos (a Joana Paixão Brás era um bocado assim, até emprestava a Isabel à senhora da portagem para procurar melhor se tinha trocos, na boa - não que as senhoras das portagens sejam perigosas, mas só por serem estranhas e, se calhar, por ser desnecessário). Porém, sendo que o bebé e a mãe acabaram de passar por um "trauma" e que provavelmente não irão beneficiar desse momento, o melhor é fazer a visita rápida, dizer que o puto é giro e voltarem para casa a tempo de ver a Pedra sobre Pedra (foi a última novela que vi, não tenho mais referências). 

2 - Apanhei ali a médica no corredor e ela disse que podes sair já amanhã. 

Não foi o meu caso. Confesso que houve um dia em que não queria sair porque estava aterrorizada porque achava que a criança ia morrer assim que ficasse só e exclusivamente a meu cuidado. No entanto, muitas mães só querem ir para o sossego do seu lar e que "a vida comece". Esqueci-me de tentar ter piada nesta, que chatice. 

1 - Vais ser uma óptima mãe. Nós sabemos. 

Ui. Mesmo a mulher mais segura do mundo, numa primeira "viagem" pelo menos, é mais provável que não esteja segura a 100%. Ouvir isto de quem nos conheça, de que estamos perfeitamente aptas para o ser, é um conforto gigante e que nos irá dar força para ultrapassarmos mais rápido algumas dificuldades. Quanto mais importante for a pessoa para nós, maior o impacto, mas qualquer pessoa ajuda nisto. 


Outra: se não souberem o que dizer, podem sempre sorrir, dar beijinho na testa da mãe, perguntar se podem ajudar nalguma coisa e sair. Sente-se o amor e carinho na mesma.

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domingo, 28 de agosto de 2016

Técnicas para conseguir alta depois do parto

Tinha ouvido um zunzum de que poderia ser no dia seguinte, se tudo continuasse bem. Apesar de todo o carinho que recebia ali, não deixava de ser um hospital, com comida de hospital (acho que perdi o peso todo da gravidez logo à conta daquelas iguarias), com companheira de quarto com horários diferentes, choros de outros bebés, pessoas desconhecidas no meu quarto. Sem televisão, sem um sofá confortável, sem a minha cama larga e grande, os meus lençóis, os meus cheiros. Mas essencialmente sem a minha filha mais velha. Que saudades gigantes! Queria voltar à minha casa, mesmo correndo o risco de ter mais dores, de ter uma pirralha a saltar em cima de mim e a pedir-me colo sem eu poder dar, de ter menos acompanhamento, de temer a subida do leite. Apesar de tudo o que tinha acontecido, do maior susto das nossas vidas, de que falei aqui, eu queria voltar à normalidade. Apesar dos meus olhos ainda inchados de tanto chorar na primeira noite, o resto do meu corpo queria reagir, queria pôr-se de pé. A miúda já tinha tido alta um dia antes, só faltava eu. Então o que fiz?

- maquilhei-me: um pó, um bocadinho de blush para me dar uma corzinha, rímel e um batom claro nos lábios - cuidado para não parecerem transformistas no Finalmente

- pus o melhor sorriso possível na cara - não exagerem no sorriso amarelo, senão ficam a parecer a Betty Grafstein (a senhora do Castelo Branco)

- falei com alegria na voz - mas também não queiram ser Anas Malhoas, alegria q.b., acabaram de deixar passar um pequeno elefante pelo pipi ou foram escurtanhadas como se fossem bife do lombo

- disse à médica que tinha ouvido "por aí" que poderia ser nesse dia, com uns olhinhos de Bambi, e que adoraria ir para casa, "se fosse possível, claro" - mostrem que estão preparadas, que querem muito, mas que a autoridade na matéria é sempre a médica, porque qualquer pessoa com dois dedinhos de testa (até tenho uns doze, como se pode ver) e com alguma sanidade mental percebe que o mais importante é ir para casa em segurança.

Fotografia que enviei à Joana Gama antes de ter a visita da médica no quarto ;)

Antes de sairmos do hospital

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quinta-feira, 28 de julho de 2016

Pensei que morria depois do parto

Tive o melhor parto do mundo. Pelo menos foi o que senti quando peguei na minha filha, acabada de nascer, sem grande esforço, às 20 horas em ponto, como já contei aqui. O pior - e mais inesperado - veio pouco depois. Comecei a perder sangue. No recobro, estava a perder muito, muito sangue. O útero não contraía, davam-me medicação, ocitocina, massagens dolorosas externas para o obrigar a ir ao sítio, e nada: completamente espapaçado. Comecei a ver algum rebuliço por ali, as caras, que antes me transmitiam força e alegria, já não esboçavam sorrisos e pressenti que algo não estava definitivamente a correr bem. Disse logo ao David: "tinha de ser, isto bem me estava a parecer bom demais". 

Os dois médicos, que me seguiram nas últimas semanas, de volta de mim, enfermeiras, algum nervosismo, nova perda gigantesca de sangue, ouço pedirem para retirarem a outra senhora do recobro, continuam a tentar medicações intravenosas, novos cateteres, comprimidos no ânus e nada... Pergunto se há mais alguma coisa que possa fazer para ajudar (já tinha estado a tentar obrigar o útero a ficar quietinho abaixo do umbigo, depois daquelas massagens horrorosas, mas em vão) e ainda os ouvi a pedirem sangue para transfusão, já a minha hemoglobina devia estar a 4 (imaginem, o normal é de 13 a 17...).

Senti imenso frio - espasmos incontroláveis - e começo a ouvir as vozes cada vez mais ao longe e aviso que vou desmaiar. Acho que nunca fiquei totalmente inconsciente. Já a caminho do bloco operatório, começo a chorar. Estava tudo a ser demasiado real e assustador. Imprevisível e totalmente paradoxal, depois de um parto de sonho. Vi demasiados filmes e séries e aquilo não acabava bem. E se eu morresse? Que pena não ver a Isabel a brincar com a Luísa. A Luísa não vai conhecer a mãe, não vai ter o meu embalo, ouvir a minha voz a cantar para ela, a Isabel nunca se irá lembrar de mim, irá construir memórias só através de fotografias e vídeos. Mas o David vai dar conta do recado, que sorte que as minhas filhas têm em ter um óptimo pai. Irá ele ficar a viver na mesma casa, com a minha mãe? Espero que sim, para ter ajuda. E de repente sinto que tenho de deixar este recado, entre soluços: "Se algo não correr bem, digam ao David que ele é um óptimo pai e que vai conseguir dar a volta". E, nesse momento, tenho as enfermeiras e auxiliares já de lágrimas nos olhos a pedirem-me para não dizer aquelas coisas, que tudo ia correr bem. Recebi um beijinho de uma delas. "Eu sou feliz, digam-lhes que eu sou feliz". Aí pensei que era injusto. Que não precisava de nenhuma lição, que não era necessário passar por aquilo para dar mais valor à vida. Pensei no quanto gostava de viver e que não merecia. Senti mesmo que ia morrer. Tive medo, tanto, tanto... Antes da anestesia geral, para a qual não estava preparada por achar que podiam ser os meus últimos segundos, disse, entre soluços: "Digam-lhes para não ficarem revoltados, para não perderem tempo com isso. Que sejam felizes". Lembrei-me do olhar do David, preocupado, com a nossa filha Luísa no colo, quando lhe pedi para sair do recobro, para não assistir àquilo tudo, àquelas perdas de sangue de filme da idade média.

Só nos voltámos a falar às 4 horas da manhã, através do telemóvel que uma enfermeira me emprestou. Chorámos muito, os dois. E choro agora, ao recordar o dia mais assustador da minha vida. O medo dava lugar ao alívio. O David tinha ido para casa para que a minha mãe - que estava a cuidar da Isabel - não desconfiasse de nada, não quis preocupá-la. Tive pena dele, do enorme susto que tinha apanhado, ao longo das várias horas numa operação de urgência. Chorei todas as lágrimas que tinha por não ter estado com a Luísa nas primeiras horas de vida dela e por estar longe da minha cria. Chorei por estar, afinal, cheia de pontos na barriga, depois de um parto tão simples e sem episiotomia.

Tive uma hemorragia pós-parto (acontece a aproximadamente 2% das mulheres que dão à luz e é uma das principais causas de morte materna) provocada por uma coisa chamada atonia uterina (útero não contrai e os vasos uterinos ficam abertos). Não sendo gravidez gemelar, não tendo tido muitos filhos antes, não sendo a Luísa uma bebé enorme, não tendo excesso de líquido amniótico, não tendo sido um parto prolongado, entre outros factores de risco da atonia, ainda mais raro se torna. Antes de partirem para o corte na barriga (laparotomia ou lá como se chama), ainda usaram uns quantos procedimentos via vaginal - já comigo anestesiada - para tentar resolver a atonia. Nada. O último dos procedimentos seria a histeroctomia, remoção do útero, mas felizmente, através de suturas compressivas no útero (técnica de um português, chamado Alcides Pereira) conseguiram apertar o útero, obrigando-o a ficar contraído, como um chouriço, o que fez parar finalmente a hemorragia [registei com agrado, e já com o sentido de humor reposto, o facto de não ter sido necessário corte em T na barriga por ser magra eheh]. Dentro do horrível, correu tudo muito bem, conservaram-me o útero e estou cá para contar a história e para cuidar das minhas meninas. Fiquei, claro, com a pulga atrás da orelha sobre o que poderá ter originado tudo aquilo e gostava de fazer exames ao sangue mais exaustivos para perceber se poderei ter alguma anomalia no sangue, se coagulo mal... eu sei lá. A revisão, passado um mês, correu muito bem e a médica até brincou, dizendo que eu estava pronta para outra.

Tenho muito a agradecer. A todos os profissionais, sem excepção, que me trataram com toda a simpatia e generosidade durante o parto, em todas as suas fases (até o cuidado com que a primeira trouxa da roupa foi preparada e dobrada pela enfermeira - seria antes auxiliar? - me comoveu). Foi importante todo aquele ambiente de descontracção, foi importante sentir-me bem cuidada pela médica, pelas enfermeiras e auxiliares, sempre com um sorriso na cara.

Mais importante ainda, o momento da expulsão. Nunca esquecerei a enfermeira Guadalupe, nem os olhos meigos da outra enfermeira de cabelo curtinho, Lidia, a quem vou dar um abraço se com ela me cruzar na rua..., que me encorajaram na hora h e com a ajuda das quais tudo me pareceu (ainda) mais fácil.

Mais importante ainda, o momento crítico e todo aquele sangue frio e profissionalismo misturado com lágrimas, de uns seres humanos fantásticos que se preocupam e que, nos dias seguintes, lá estavam, no quarto, prontos a dar-me palavras de conforto. Até abraços recebi. E que falta eles me faziam...  

Além de me terem salvado a vida, aquelas pessoas quiseram devolver-me o coração, que ainda estava com muitas mazelas, e conseguiram-no. É possível - tenho duas provas disso, e passei por diferentes equipas nos dois partos, tanto no Hospital da Luz, como no Hospital de Santarém - ter partos "humanizados" (termo agora muito em voga), em que nos sentimos amparadas e felizes num hospital, seja ele público ou privado. Nem quero pensar no que poderia ter acontecido se tivesse tido a ideia romântica (?) de ter o parto em casa... teria havido tempo?... Estava à hora certa, no local certo.

Obrigada Dr.ª Rita e Dr. Carlos pelo cuidado e atenção e obrigada a todos os profissionais do Hospital Distrital de Santarém que se cruzaram comigo nesses dias. Há gente boa no mundo que se dedica, de corpo e alma, ao que faz.


A tentar esboçar um sorriso, no dia 1

Toda torta, coitadinha (era para condizer com a mãe)

O melhor pai do mundo (em ex aequo com o meu, pronto)

Luísa, com 3 dias de vida

*grávidas que me lerem, confiem: vai correr bem. Se não correr (o que é muito raro!), vão estar no sítio certo, à hora certa, com as pessoas certas. Desfrutem do vosso parto, os momentos bons vão prevalecer e os vossos filhotes vão compensar cada dor. 



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quarta-feira, 15 de junho de 2016

O meu parto.

Dia 31 de maio, terça-feira. Antes de sair de casa, maquilhei-me e vesti uma roupa gira. Tirei, sem saber, a minha última fotografia grávida. Sentia-me bem, feliz. Estava pronta para receber a Luísa e o meu corpo já me dava mostras de que estava para muito breve. Além das sessões de contracções regulares desde sábado e da perda do rolhão mucoso, o meu feeling estava certo. A minha querida médica pediu-me que ficasse de repouso até 5a, dia em que já estaria de volta a Lisboa, mas não conseguimos esperar por ela. Estava no Hospital de Santarém, no ctg das 39 semanas (com 38 + 6 dias), cheia de contracções muito regulares, colo favorável e já não saí de lá. Telemóvel do David, que estava em Lisboa a trabalhar, desligado. Boa, mesmo no timing perfeito. Mãe já avisada para ir buscar as malas a casa. E a máquina. E o kit das células. E... E eu num misto de lágrimas de emoção e de sorriso nos lábios. Ia ser naquele dia.  Era real.

Já não vi a minha mãe e entretanto o David chegou, já estava eu numa daquelas batas sexy, abertas atrás. Trocámos beijinhos e risos nervosos. Íamos repetir a dose, naquele que seria o dia mais feliz das nossas vidas. Perguntei-lhe se tinha almoçado bem e suspirei só de imaginar o hambúrguer com queijo das ilhas. Lamentei ter tomado o pequeno-almoço às 9 horas e não ter feito um lanchinho entretanto. "Se for como o da Isabel, vou estar sem comer até amanhã". Desta vez, não tínhamos um quarto só para nós, estávamos acompanhados por mais um casal, apenas separados por um pano. Eu ia tendo as minhas contracções, cada vez mais e mais dolorosas, ia fazendo as minhas respirações e a grávida do lado, internada por ter pouco líquido amniótico mas sem avanços na indução do parto, a ter de "sofrer" comigo e com as minhas queixas. Demorei a pedir a epidural. Já da outra vez deixei para o limite dos limites, quando já sentia que não ia aguentar muito mais tempo naquilo, com tanto sofrimento e ainda longe de ter a dilatação feita. De 3 em 3 minutos, sentia as dores mais intensas do mundo, mas que, por incrível que pareça, têm ali qualquer coisa de bom, acho que por sabermos que não são em vão. No meio de tudo isto, fui alegremente conversando com as enfermeiras e com as técnicas, todas de uma simpatia e dedicação ao que fazem enormes. Não dei pelo tempo passar. 

Faltavam menos de dez minutos para as oito da noite quando percebemos que estava na hora. Fui a caminhar para a sala de partos, acompanhada pelas enfermeiras. O David foi logo de seguida. Pedi-lhes para, caso tudo corresse bem, ser eu a receber com as minhas mãos a minha filha e que a colocassem logo no meu peito. Fiz três vezes força na mesma contracção. Aliás, duas durante a contracção e outra logo de seguida. A Luísa nasceu e chorou, quente e escorregadia, às 20 horas em ponto. Tão bonita, tão perfeita. Não a achámos parecida com a Isabel, quando nasceu. Veio para o meu peito e soube logo o que fazer. Foi uma emoção enorme, inexplicável. Tinha a minha segunda filha nos meus braços e tinha sido tão fácil e tão bonito.




O David, trémulo, tinha entretanto cortado o cordão. Vi a placenta, perfeita. Não fui submetida a episiotomia e só tive de levar um ponto de correcção. Na da Isabel, por ter sido com ventosa, ainda tinha andado ali a penar umas semanas, com os pontos. Pensei logo "esta recuperação vai ser um luxo". Depois fui para o recobro, onde a Luisinha voltou a mamar e onde estivemos os três felizes da vida. 

Adorava contar-vos que a seguir fomos para o quarto e que este foi o dia mais feliz da minha vida. Queria muito que a história acabasse aqui. Mas não. Não foi o dia mais feliz da minha vida. Foi o mais difícil, aquele em que tive mais medo, em que senti que podia morrer, em que me despedi dos meus amores. Essa história fica para outro dia, até porque, apesar de tudo, tenho muito a agradecer. Mas hoje só me quero lembrar das coisas boas, já que afinal são essas que me habitam. Estou bem, estou feliz e o amor pelos nossos filhos cura tudo.

Na maminha

A ser vestida

sábado, 11 de junho de 2016

Apaixonada pela minha bebé

Estou completamente in love. Foi daqueles amores à primeira vista que só tinha sentido uma vez na vida. Uma paixão galopante, que nos deixa sem fôlego, que não nos deixa dormir. Fiquei a olhar para ela, sem conseguir desviar o olhar, depois das 7 horas em que nos separaram. Precisei de recuperar o tempo perdido. 
Aquelas foram horas difíceis, com muito choro à mistura, porque nem tudo correu como eu esperava. Ninguém esperava. Depois de um parto perfeito, em que fiz 3 vezes força na mesma contracção e a minha bebé veio conhecer o mundo, sem episiotomia, depois de ter agarrado nela com as minhas mãos e puxado para cima de mim, depois dela ter vindo mamar, da forma mais animal e natural possível, algo não estava afinal bem comigo, percebemos minutos mais tarde, no recobro. Apanhámos o maior susto das nossas vidas e tive de ser operada de urgência, num naqueles cenários que só vemos no Dr. House, a sentir um frio incontrolável, a ouvir as vozes já distantes e com medo, muito medo. Com direito a despedidas. Foi duro. Mas já passou. Estou a recuperar bem e já não sou assombrada pelo que aconteceu. Um dia destes conto tudo (as grávidas estão proibidas de ler, óbvio!).

Agora, é tempo de vê-la crescer, devagarinho. De ver na Isabel uma irmã mais velha cheia de amor para dar. De nos habituarmos a estar juntos, os quatro. A conhecermo-nos, a ajudarmo-nos, a partilhar tudo. Os momentos de puro amor, as birras, os ajustes à nova realidade. Não é fácil. Mas está a ser tão, mas tão bom.




nome madeira: Molde Design Weddings
tapa-fraldas: colecção de inverno da Cosythings, agora Coth
sapatinhos: Lovely Things

bebé: a coisa mais calminha e mamona à face da terra ;)